Duetto
não paga dívida do Sairé
e empresa vai fechar as portas
Alailson
Muniz
Da Redação
Passados mais de oito meses depois da realização do
Sairé, maior manifestação folclórica do
oeste do Pará, a Duetto Assessoria em Eventos, que administrou
a festa, no ano passado, ainda deve mais de R$ 150 mil para uma agência
de passagens aérea em Santarém. E por causa dessa dívida,
a empresária Izarina Paixão, proprietária da
Alter do Chão Turismo, já demitiu duas funcionárias
e pensa em fechar sua agência definitivamente. O valor da dívida
ultrapassa R$ 150 mil, sem correção monetária
e juros. A reportagem apurou que não é só para
Izarina Paixão que a Duetto ficou devendo. Em outra empresa,
“calote” chega a R$ 80 mil.
A peregrinação para receber o dinheiro da dívida,
contraída por meio da venda de passagens aéreas nos
nomes das atrações artísticas do Sairé
do ano passado e de funcionários da Duetto, começo logo
após o termino da maior manifestação folclórica
do oeste paraense. “A dona da empresa (Duetto), Ieda Pinheiro,
não atende telefone e nem dá satisfação”,
diz Paixão, que está à beira do desespero.
A empresária conta que por volta do dia 17 de agosto de 2007,
recebeu um telefonema do senhor Edinaldo Mota Junior, assessor do
vice-governador Odair Correa. Ele pediu a Izarina que “atendesse”
os pedidos de Ieda Pinheiro, no que se referia a organização
do Sairé 2007. “Tivemos as melhores referências
possíveis da pessoa da senhora Ieda fornecida pelo Edinaldo,
uma vez que sabíamos de quem se tratava”, explica, acrescentando
que, no dia 24 de agosto, Ieda procurou os serviços de sua
empresa. Elas reuniram e chegaram ao entendimento. “Ficou acordado
todos os procedimentos que tomaríamos com relação
às emissões perante as companhias aéreas. Uma
vez feito o levantamento entre a TAM e a GOL, fechamos contrato com
a TAM, devidos as melhores tarifas e melhores vantagens com relação
a excesso de bagagens e outros serviços que foram prestados
a empresa Duetto, assim como algumas emissões pela Gol, devido
a facilidade de horário no transporte de alguns passageiros,
ficando combinado que só faríamos as emissões
perante o pagamento à vista a qual para dona Ieda não
seria problema”, conta Paixão.
No dia 06 de setembro, Ieda liga para Izarina Paixão e a autoriza
a tirar as passagens das bandas e de algumas pessoas do apoio e da
organização das festas. Izarina então lembrou
Ieda do pagamento à vista, que havia sido acertado. “Logo
após recebemos uma ligação do Edinaldo, solicitando
que fossem feitas as emissões e que poderíamos confiar
em dona Ieda, pois tratava de uma pessoa honesta de boas referências
e que também a vice-governadoria pagaria a metade dessas passagens.
Confiando, fizemos as emissões conforme solicitado e com a
promessa da Ieda de ser feito um depósito na conta da agência
de R$ 20 mil como sinal e que até ao final da festa todas as
emissões de passagens seriam liquidadas, depósito este
que até o momento não foi cumprido”, diz a empresária
santarena.
As passagens foram emitidas. Mas até o dia 14 de setembro não
haviam sido pagas. “Entramos em contato com dona Ieda e a mesma
pediu para irmos em Alter do Chão no sairodrómo no dia
17 de setembro receber uma parte do pagamento. Eu e o Correa meu sócio
fomos até lá e mais uma vez não houve acerto
nenhum por conta de que o Basa, um dos patrocinadores não teria
depositado o valor de R$ 100 mil e que não nos preocupássemos
pois nosso pagamento seria prioridade para ela”.
Izarina conta que assim passou a ser todas as vezes que procurou Ieda,
chegando ao ponto de ser ofendida verbalmente pela dona d Duetto.
“Desde que terminou a festa não tivemos mais nenhum contato
pessoal com ela, tendo ela viajado para Fortaleza. Soubemos depois
que ela teria retornado a Santarém e que se encontrava hospedada
no Amazon Park hotel. Entramos em contato via fone e como não
tínhamos retorno resolvemos através do meu sócio
José Correa Branco ir até o hotel, levando duplicata
para ela assinar e ao chegar lá pediu que a recepção
entrasse em contato avisando que ele estava lá e gostaria de
falar-lhe ao falar, com ele pelo interfone disse que não tinha
marcado nenhum encontro e que no momento não poderia atendê-los
pois estava muito ocupada analisando uns documentos que teria que
assinar, fazendo promessa de que assim que pudesse marcaria conosco
na agência para acertar tudo”, diz Izarina.
Aproximava-se o dia do pagamento da fatura que seria no dia 30 de
outubro de 2007 e a preocupação da empresária
aumentava mais devido as falas promessas de pagamento de Ieda, com
ocorre até a presente data. “Quanto a Petrobrás
fui informada que pagou inclusive em parcelas e ao Basa o pagamento
foi efetuado no dia 6 de dezembro de 2007. Entrei em contato com a
Ieda informando já saber do depósito do Basa. Uma vez
que a mesma dizia que esse pagamento seria prioridade para Alter do
Chão Turismo e a mesma ficou de depositar em nossa conta R$
50 mil e depois combinaria como seria o restante do pagamento”,
conta Izarina.
Desconfiada, Izarina Paixão fez contato com o Basa, em Belém,
e descobriu que o depósito do dinheiro havia sido efetuado
em uma conta do Banco do Brasil de Fortaleza em nome da empresa Lumiar
Assessoria. “Fizemos contato com a empresa (Lumiar) e nos informado
pela senhora Dona Freitas, ordenadora de pagamentos que foi solicitado
pela Ieda Pinheiro que fizesse o depósito de alguns valores
não informados para os botos Tucuxi e Cor de Rosa e o restante
para a Duetto de sua propriedade”.
Ou seja, a Duetto recebeu o dinheiro dos patrocinadores e não
pagou a empresária santarena que está em situação
delicada. O seu nome e a firma de sua empresa já estão
em todos os cadastros de proteção ao credito. Ela não
consegue mais vender passagens, pois está devendo para as companhias
áreas. “Para a TAM liberar o limite de crédito
tivemos que emitir um cheque como caução no valor de
R$ 140 mil de garantia para abertura desse limite, uma vez que não
tínhamos o valor exato de todas as passagens a serem emitidas.
Não tendo sido feito o repasse do valor devido pela Duetto
até o vencimento, nosso cheque foi depositado duas vezes pela
TAM, prejudicando a firma, que teve seu registro incluso junto ao
Serasa também com a própria companhia aérea de
passagens. Por conta disso também a Gol cortou nossas emissões
devido ser feito análise pela companhia todos os meses de seus
prestadores de serviços”, explicou Izarina Paixão.
A dívida se encontra no departamento jurídico da TAM
que cobra juros de 6% ao mês em cima do referido valor e mais
multas. “Deixando-nos ainda mais desesperados devido a nenhuma
posição concreta desse pagamento pela senhora Ieda e
não temos para onde recorrer se não for através
de uma cobrança judicial”, Relata Paixão desesperada.
As coordenações dos botos responsáveis pela contratação
da Duetto não se manifestam sobre o assunto, mas a Duetto já
está planejando o Sairé deste ano. A reportagem tentou
falar coma a empresária Ieda Pinheiro, mas não conseguiu
nenhuma ligação. Também não localizou
Ednaldo Mota Jr., que está residindo em Belém.
A Prefeita Maria do Carmo disse à reportagem que as associações
receberam dinheiro do Governo do Estado e da própria Prefeitura
de Santarém. A prestação de contas desse dinheiro
deverá ser feita ao TCM (Tribunal de Contas dos Municípios).