Santarém de 17 a 23 de Maio 2008
 
 

 

Duetto não paga dívida do Sairé
e empresa vai fechar as portas

Alailson Muniz
Da Redação


Passados mais de oito meses depois da realização do Sairé, maior manifestação folclórica do oeste do Pará, a Duetto Assessoria em Eventos, que administrou a festa, no ano passado, ainda deve mais de R$ 150 mil para uma agência de passagens aérea em Santarém. E por causa dessa dívida, a empresária Izarina Paixão, proprietária da Alter do Chão Turismo, já demitiu duas funcionárias e pensa em fechar sua agência definitivamente. O valor da dívida ultrapassa R$ 150 mil, sem correção monetária e juros. A reportagem apurou que não é só para Izarina Paixão que a Duetto ficou devendo. Em outra empresa, “calote” chega a R$ 80 mil.
A peregrinação para receber o dinheiro da dívida, contraída por meio da venda de passagens aéreas nos nomes das atrações artísticas do Sairé do ano passado e de funcionários da Duetto, começo logo após o termino da maior manifestação folclórica do oeste paraense. “A dona da empresa (Duetto), Ieda Pinheiro, não atende telefone e nem dá satisfação”, diz Paixão, que está à beira do desespero.
A empresária conta que por volta do dia 17 de agosto de 2007, recebeu um telefonema do senhor Edinaldo Mota Junior, assessor do vice-governador Odair Correa. Ele pediu a Izarina que “atendesse” os pedidos de Ieda Pinheiro, no que se referia a organização do Sairé 2007. “Tivemos as melhores referências possíveis da pessoa da senhora Ieda fornecida pelo Edinaldo, uma vez que sabíamos de quem se tratava”, explica, acrescentando que, no dia 24 de agosto, Ieda procurou os serviços de sua empresa. Elas reuniram e chegaram ao entendimento. “Ficou acordado todos os procedimentos que tomaríamos com relação às emissões perante as companhias aéreas. Uma vez feito o levantamento entre a TAM e a GOL, fechamos contrato com a TAM, devidos as melhores tarifas e melhores vantagens com relação a excesso de bagagens e outros serviços que foram prestados a empresa Duetto, assim como algumas emissões pela Gol, devido a facilidade de horário no transporte de alguns passageiros, ficando combinado que só faríamos as emissões perante o pagamento à vista a qual para dona Ieda não seria problema”, conta Paixão.
No dia 06 de setembro, Ieda liga para Izarina Paixão e a autoriza a tirar as passagens das bandas e de algumas pessoas do apoio e da organização das festas. Izarina então lembrou Ieda do pagamento à vista, que havia sido acertado. “Logo após recebemos uma ligação do Edinaldo, solicitando que fossem feitas as emissões e que poderíamos confiar em dona Ieda, pois tratava de uma pessoa honesta de boas referências e que também a vice-governadoria pagaria a metade dessas passagens. Confiando, fizemos as emissões conforme solicitado e com a promessa da Ieda de ser feito um depósito na conta da agência de R$ 20 mil como sinal e que até ao final da festa todas as emissões de passagens seriam liquidadas, depósito este que até o momento não foi cumprido”, diz a empresária santarena.
As passagens foram emitidas. Mas até o dia 14 de setembro não haviam sido pagas. “Entramos em contato com dona Ieda e a mesma pediu para irmos em Alter do Chão no sairodrómo no dia 17 de setembro receber uma parte do pagamento. Eu e o Correa meu sócio fomos até lá e mais uma vez não houve acerto nenhum por conta de que o Basa, um dos patrocinadores não teria depositado o valor de R$ 100 mil e que não nos preocupássemos pois nosso pagamento seria prioridade para ela”.
Izarina conta que assim passou a ser todas as vezes que procurou Ieda, chegando ao ponto de ser ofendida verbalmente pela dona d Duetto. “Desde que terminou a festa não tivemos mais nenhum contato pessoal com ela, tendo ela viajado para Fortaleza. Soubemos depois que ela teria retornado a Santarém e que se encontrava hospedada no Amazon Park hotel. Entramos em contato via fone e como não tínhamos retorno resolvemos através do meu sócio José Correa Branco ir até o hotel, levando duplicata para ela assinar e ao chegar lá pediu que a recepção entrasse em contato avisando que ele estava lá e gostaria de falar-lhe ao falar, com ele pelo interfone disse que não tinha marcado nenhum encontro e que no momento não poderia atendê-los pois estava muito ocupada analisando uns documentos que teria que assinar, fazendo promessa de que assim que pudesse marcaria conosco na agência para acertar tudo”, diz Izarina.
Aproximava-se o dia do pagamento da fatura que seria no dia 30 de outubro de 2007 e a preocupação da empresária aumentava mais devido as falas promessas de pagamento de Ieda, com ocorre até a presente data. “Quanto a Petrobrás fui informada que pagou inclusive em parcelas e ao Basa o pagamento foi efetuado no dia 6 de dezembro de 2007. Entrei em contato com a Ieda informando já saber do depósito do Basa. Uma vez que a mesma dizia que esse pagamento seria prioridade para Alter do Chão Turismo e a mesma ficou de depositar em nossa conta R$ 50 mil e depois combinaria como seria o restante do pagamento”, conta Izarina.
Desconfiada, Izarina Paixão fez contato com o Basa, em Belém, e descobriu que o depósito do dinheiro havia sido efetuado em uma conta do Banco do Brasil de Fortaleza em nome da empresa Lumiar Assessoria. “Fizemos contato com a empresa (Lumiar) e nos informado pela senhora Dona Freitas, ordenadora de pagamentos que foi solicitado pela Ieda Pinheiro que fizesse o depósito de alguns valores não informados para os botos Tucuxi e Cor de Rosa e o restante para a Duetto de sua propriedade”.
Ou seja, a Duetto recebeu o dinheiro dos patrocinadores e não pagou a empresária santarena que está em situação delicada. O seu nome e a firma de sua empresa já estão em todos os cadastros de proteção ao credito. Ela não consegue mais vender passagens, pois está devendo para as companhias áreas. “Para a TAM liberar o limite de crédito tivemos que emitir um cheque como caução no valor de R$ 140 mil de garantia para abertura desse limite, uma vez que não tínhamos o valor exato de todas as passagens a serem emitidas. Não tendo sido feito o repasse do valor devido pela Duetto até o vencimento, nosso cheque foi depositado duas vezes pela TAM, prejudicando a firma, que teve seu registro incluso junto ao Serasa também com a própria companhia aérea de passagens. Por conta disso também a Gol cortou nossas emissões devido ser feito análise pela companhia todos os meses de seus prestadores de serviços”, explicou Izarina Paixão.
A dívida se encontra no departamento jurídico da TAM que cobra juros de 6% ao mês em cima do referido valor e mais multas. “Deixando-nos ainda mais desesperados devido a nenhuma posição concreta desse pagamento pela senhora Ieda e não temos para onde recorrer se não for através de uma cobrança judicial”, Relata Paixão desesperada.
As coordenações dos botos responsáveis pela contratação da Duetto não se manifestam sobre o assunto, mas a Duetto já está planejando o Sairé deste ano. A reportagem tentou falar coma a empresária Ieda Pinheiro, mas não conseguiu nenhuma ligação. Também não localizou Ednaldo Mota Jr., que está residindo em Belém.
A Prefeita Maria do Carmo disse à reportagem que as associações receberam dinheiro do Governo do Estado e da própria Prefeitura de Santarém. A prestação de contas desse dinheiro deverá ser feita ao TCM (Tribunal de Contas dos Municípios).